Educação
Conhecimento, mérito e transmissão. Quando as aprendizagens caem, a discussão deixa de ser pedagógica: transforma-se numa questão de futuro nacional.
Uma década de reformas. Uma década de queda. O que aconteceu à escola?
Portugal chegou a 2015 como uma das histórias de sucesso educativo da Europa. Dez anos depois, os ganhos anteriores foram praticamente anulados. Espanha atingiu resultados entre os mais baixos da sua história. Enquanto isso, vários sistemas asiáticos continuam no topo e alguns países que decidiram recuperar exigência, disciplina e conhecimento estão a melhorar.
Portugal e Espanha perdem terreno
Dois sistemas diferentes, mas uma trajectória semelhante: pior desempenho, menos alunos de excelência e mais estudantes abaixo dos níveis mínimos.
Portugal
Em 2015 Portugal ultrapassava, pela primeira vez, a média da OCDE nas três grandes áreas. Em 2025 regressou a níveis próximos de 2006.
OCDE · PortugalEspanha
Espanha ficou abaixo da média da OCDE nas três áreas. Cerca de um terço dos alunos não alcança o nível mínimo em Matemática e Leitura.
OCDE · EspanhaUma coincidência que merece ser discutida
O PISA não demonstra causalidade política. Mas permite perguntar se as prioridades adoptadas ao longo da última década colocaram conhecimento fundamental suficientemente no centro.
Quando tudo se torna prioridade, o que deixa de o ser?
Portugal foi governado pelo Partido Socialista durante grande parte do período em que os resultados começaram a inverter-se. Espanha é governada por uma coligação liderada pelo PSOE desde 2018. Em ambos os países, as reformas da educação alargaram o espaço concedido a competências transversais, inclusão, cidadania, sustentabilidade, igualdade e novas agendas sociais.
Flexibilidade curricular
O Decreto-Lei n.º 55/2018 reforçou autonomia, interdisciplinaridade, competências e o Perfil dos Alunos, mantendo Aprendizagens Essenciais como referência curricular.
Identidade e expressão de género
O Despacho n.º 7247/2019 regulamentou medidas nas escolas relativas à identidade e expressão de género, no seguimento da Lei n.º 38/2018.
LOMLOE
A reforma espanhola reforçou aprendizagem por competências, cidadania, sustentabilidade, igualdade de género, diversidade afectivo-sexual e conteúdos transversais.
O teste chega
Portugal regressa a resultados próximos de 2006. Espanha obtém resultados entre os mais baixos da sua série histórica.
A escola desviou o foco?
Uma interpretação editorial do The Conservative Nexus — distinguindo claramente factos de juízo político.
A missão principal da escola é transmitir conhecimento.
Uma leitura conservadora dos últimos dez anos começa por uma pergunta simples: quanto tempo intelectual, curricular e institucional foi desviado da aprendizagem fundamental para objectivos que, por muito legítimos que possam ser noutros domínios, não ensinam uma criança a ler melhor, calcular melhor ou compreender melhor ciência?
A crítica não exige negar a dignidade de qualquer aluno, nem eliminar educação cívica. Exige hierarquia de prioridades. Matemática, língua, ciência, história e literatura devem ocupar o centro da escola, não disputar esse centro com uma agenda permanentemente crescente de conteúdos sociais e políticos.
Nesta perspectiva, o problema das reformas progressistas não é apenas aquilo que introduzem. É aquilo que podem relativizar: autoridade do professor, disciplina, memorização, repetição, exame, mérito, conhecimento factual e responsabilidade individual.
O PISA não permite dizer: “identidade de género causou a queda”.
Essa conclusão não é demonstrada pelos dados. A OCDE identifica uma deterioração internacional muito mais ampla e associa-a, entre outros factores, à perda de hábitos de leitura, maior exposição a ecrãs, menor perseverança, problemas de disciplina, menor apoio familiar e escolar e efeitos que começaram antes da pandemia. Em Espanha, o próprio analista do PISA advertiu contra atribuir os resultados a uma única lei educativa.
O que nos diz a China?
A comparação deve ser feita com cautela: o PISA não representa toda a China, mas quatro jurisdições — Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang.
Conhecimento, exigência e uma cultura académica forte.
Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang formaram conjuntamente o sistema mais bem classificado do PISA 2025 em Ciências e Matemática. O resultado não pode ser simplesmente transplantado para a Europa: existem diferenças culturais, económicas e institucionais profundas. Mas mostra que elevados níveis de exigência académica, valorização social da educação e domínio dos fundamentos continuam a produzir resultados excepcionais.
Dois países que melhoraram
A queda não é inevitável. Türkiye e Emirados Árabes Unidos mostram que trajectórias de melhoria continuam possíveis.
Türkiye
+18 Ciências · 2022–25Türkiye melhorou nas três áreas entre 2022 e 2025 e prolongou uma tendência positiva anterior.
Menos 25 pontos percentuais de alunos abaixo do nível mínimo em Ciências desde 2015.
Menos 16 pontos percentuais de alunos de baixo desempenho em Matemática.
Resultado em Ciências já acima da média da OCDE.
Emirados Árabes Unidos
+26 Ciências · 2022–25Os Emirados melhoraram em Matemática, Leitura e Ciências entre 2022 e 2025.
Ciências e Matemática estão acima dos níveis registados dez anos antes.
A percentagem de alunos fracos em Matemática caiu nove pontos percentuais desde 2015.
A melhoria ocorreu entre alunos favorecidos e desfavorecidos.
O crescimento destes países não prova que “conservadorismo causa melhores notas”.
Mas oferece uma pista: sistemas que tratam educação como prioridade estratégica nacional, valorizam desempenho, autoridade institucional, conhecimento científico e expectativas elevadas mostram que é possível contrariar a tendência internacional. Para uma direita nacional-conservadora, a lição é menos ideológica do que civilizacional: uma nação que quer competir precisa de saber aquilo que exige aos seus filhos.
Educação em vídeo
Uma área expansível para vídeos, gráficos e fragmentos do debate educativo.
O debate em movimento
Cada caixa abre directamente a publicação original. Novos vídeos podem ser adicionados duplicando um dos cartões.
Educação, exigência e futuro.
Fragmento seleccionado para o Observatório da Educação.
Espanha: PISA em queda.
Conteúdo relacionado com os resultados educativos espanhóis.
O que está a acontecer às aprendizagens?
Um ponto de entrada para o debate sobre escola e conhecimento.
Para além da ideologia
Uma crítica política torna-se mais forte, e não mais fraca, quando respeita os limites da evidência.
Há problemas que atravessam governos de direita e de esquerda.
O declínio de Leitura e Matemática é internacional. Começou em muitos países antes da pandemia e não pode ser explicado apenas por uma ideologia.
Ecrãs
A OCDE associa utilização digital excessiva e distracção a pior desempenho.
Leitura
Menos leitura por prazer acompanha a deterioração da compreensão leitora.
Disciplina
Professores passam mais tempo a manter ordem e menos tempo a ensinar.
Perseverança
Curiosidade, esforço e capacidade de persistir estão associados ao desempenho.
Fontes
Dados primários, legislação e imprensa internacional.
PISA 2025 Results · Volume I
Relatório internacional integral.
Portugal · Country Note
Resultados portugueses, tendências e comparação internacional.
Espanha · Country Note
Resultados espanhóis e tendências desde 2015.
B-S-J-Z · China
Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang.
Portugal perdeu a trajectória de sucesso
Evolução portuguesa entre 2000, 2015 e 2025.
Espanha e os piores resultados históricos
Cobertura e reacção ao PISA 2025.
LOMLOE · Espanha
Texto oficial da reforma educativa espanhola.
Uma nação que deixa de exigir conhecimento aos seus filhos não se torna mais inclusiva. Torna-se apenas menos preparada para o futuro.The Conservative Nexus · Educação · 2026