11 de Setembro

Memória · Segurança · Liberdade

11 de Setembro o mundo que aprendemos a aceitar

Vinte e cinco anos depois, a herança do 11 de Setembro transcende as imagens das Torres Gémeas. Estende-se aos aeroportos, às fronteiras, às câmaras que nos observam e a uma geração que nunca conheceu o mundo anterior àquela manhã.

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11 de Setembro de 2001 — homenagem às vítimas e memória das Torres Gémeas
11 de Setembro de 2001 · Nova Iorque Especial · 25 anos

Às 8h46 de 11 de Setembro de 2001, um avião desapareceu dentro de um edifício. Dezassete minutos depois, aconteceu novamente. Foi nesse intervalo absurdamente curto que terminou uma certa ideia do mundo.

Vimos fogo, pessoas cobertas de cinza, papéis a flutuar sobre Manhattan e homens e mulheres a correr enquanto os bombeiros avançavam na direcção contrária. Depois, vimos as torres desaparecerem.

Os números vieram mais tarde. 2.977 mortos, quatro aviões sequestrados, Nova Iorque, o Pentágono e um campo na Pensilvânia transformados em lugares de memória.

2.977 vidas perdidas nos ataques de 11 de Setembro de 2001

Seguiram-se o Afeganistão, o Iraque, Guantánamo, a caça a Osama bin Laden e uma sucessão de atentados que levaria o terrorismo ao coração da Europa. Madrid, Londres, Paris, Bruxelas, Nice e Manchester demonstraram que o 11 de Setembro não terminara em Nova Iorque.

11 de Setembro na nossa vida quotidiana

Antes de 2001, viajar de avião não significava retirar o cinto, separar líquidos, colocar computadores numa bandeja ou atravessar sucessivos controlos. Hoje fazemos tudo isso mecanicamente.

Concertos têm perímetros de segurança. Mercados de Natal são protegidos por barreiras. Câmaras acompanham-nos nas cidades. Grandes acontecimentos transformaram-se em operações de segurança.

Uma geração inteira cresceu sem conhecer o mundo anterior àquela manhã.

Excepção normal

Depois dos atentados, os Estados reforçaram fronteiras, serviços de informações, legislação antiterrorista e instrumentos de vigilância. Grande parte dessa resposta era necessária. Proteger os cidadãos é uma das primeiras obrigações de um Estado soberano.

Mas permanece uma questão que as democracias não podem abandonar: quando termina a excepção?

Tecnologia

Em 2001 não existiam Facebook, YouTube ou iPhone. Hoje transportamos voluntariamente um aparelho que conhece os nossos movimentos, contactos, pesquisas e hábitos.

Câmaras reconhecem rostos, algoritmos detectam padrões, drones observam à distância e a inteligência artificial permite cruzar quantidades de informação inimagináveis quando as torres caíram.

A discussão deixou, portanto, de ser simplesmente segurança contra liberdade. Passou a ser também sobre quem controla a tecnologia, quem controla os dados e quem vigia aqueles que vigiam.

O desafio deixou de ser apenas proteger uma sociedade aberta. Passou também a ser impedir que os instrumentos criados para a proteger alterem a própria natureza dessa sociedade.

O fim de uma ilusão ocidental

O 11 de Setembro destruiu uma convicção muito própria dos anos 1990: a ideia de que a globalização tornaria fronteiras, identidades, religião e conflitos civilizacionais progressivamente menos importantes.

Dezanove terroristas demonstraram o contrário. Sociedades abertas podiam ser atacadas através da própria abertura que as tornava prósperas. Distância já não significava segurança. Riqueza não significava invulnerabilidade.

E o inimigo não precisava de um exército, de um uniforme ou sequer de atravessar uma fronteira no momento do ataque.

2001, início do século XXI

Vinte e cinco anos depois, entramos num aeroporto, colocamos os nossos objectos numa bandeja, atravessamos um detector e seguimos viagem. Já quase não pensamos na razão.

Talvez seja precisamente por isso que importa recordar.

Recordar o 11 de Setembro não é apenas regressar às imagens das Torres Gémeas. É compreender aquilo que aprendemos depois: uma sociedade livre precisa de fronteiras, segurança, memória e capacidade para reconhecer ameaças.

Mas precisa também da coragem necessária para não entregar, em nome do medo, aquilo que pretende defender.

Vinte e cinco anos depois

Naquela manhã, milhões perguntaram: como foi possível? Um quarto de século depois, a pergunta é outra. O que tivemos de mudar para garantir que não voltasse a acontecer e quanto dessa mudança estamos dispostos a tornar permanente?